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Projeto de incentivos fiscais para data centers gera críticas no Brasil

Projeto de incentivos para data centers

Entidades criticam projeto que prevê incentivos fiscais para data centers no Brasil

Organizações da sociedade civil, sindicatos e movimentos sociais pedem mudanças no Redata e defendem contrapartidas ambientais, sociais e tecnológicas para empresas beneficiadas.

Organizações da sociedade civil, sindicatos e movimentos sociais criticam o projeto de lei que cria o Regime Especial para Serviços de Data Center (Redata), programa que prevê incentivos fiscais para a instalação de centros de processamento de dados de grandes empresas de tecnologia no Brasil.

As entidades divulgaram uma nota pública na qual pedem maior participação nas discussões sobre o projeto e alterações no texto. Segundo o grupo, as medidas são necessárias para garantir a soberania digital do país e estabelecer regras relacionadas ao uso de recursos naturais, planejamento territorial e contrapartidas das empresas.

Data centers são estruturas que concentram equipamentos utilizados para processamento de sistemas, incluindo aplicações de inteligência artificial, e armazenamento de dados. A atividade é alvo de críticas devido ao elevado consumo de energia e água.

O posicionamento das entidades é contrário ao PL 278 de 2026, que já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e entrou na pauta do Senado nesta semana. Segundo a nota, as negociações sobre a proposta não teriam ocorrido de forma suficientemente transparente e não incluíram organizações que acompanham o tema.

“Rejeitamos que esse movimento comece pela entrega de benefícios fiscais e privilégios tributários para acelerar a expansão das Big Techs e outras grandes empresas do setor antes mesmo que o país estabeleça diretrizes adequadas para planejamento territorial, salvaguardas socioambientais e contrapartidas capazes de proteger seus recursos naturais e interesses estratégicos”, afirma o documento.

Entre as organizações que assinam a manifestação estão a Coalizão Direitos na Rede, que reúne mais de 50 entidades do setor, o Laboratório de Políticas Públicas e Internet (Lapin), o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e a Rede pela Soberania Digital.

As entidades afirmam que não são contrárias à atração de investimentos para o país, mas defendem que empresas contempladas pelos benefícios fiscais apresentem contrapartidas capazes de fortalecer a capacidade tecnológica e científica nacional.

“Sem contrapartidas proporcionais, o Brasil corre o risco de conceder benefícios fiscais e disponibilizar recursos estratégicos enquanto assume os custos ambientais e sociais de infraestruturas controladas por grandes grupos econômicos globais”, alertam as entidades.

Projeto prevê isenção de impostos

O PL 278 de 2026 substitui uma medida provisória que previa a criação do Redata e perdeu validade em fevereiro. No Senado, o projeto é relatado pelo senador Cid Gomes (PDT-CE).

A proposta estabelece a redução a zero de impostos federais sobre a importação de componentes eletrônicos e equipamentos de tecnologia da informação destinados aos data centers.

Em contrapartida, as empresas beneficiadas deverão utilizar energia de fontes limpas ou renováveis e cumprir um índice de eficiência hídrica para o uso de água no resfriamento dos equipamentos. O limite estabelecido é de 0,05 litro por kWh em aferição anual.

O texto também determina investimentos no Brasil equivalentes a 2% do valor dos produtos adquiridos com o benefício fiscal. Além disso, as empresas deverão reservar 10% dos serviços dos data centers para o mercado interno.

A estimativa do governo é de que as isenções fiscais alcancem cerca de R$ 5,2 bilhões ainda em 2026. Para os dois anos seguintes, a previsão é de R$ 1 bilhão em cada período.

No parecer apresentado na Câmara, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) defendeu a medida. “O Redata garantirá ao país recursos para o desenvolvimento de tecnologia própria nos mais diversos ramos da economia moderna”, justificou.

Entidades cobram soberania digital

Para as organizações que assinaram a nota, o projeto ainda precisa de maior discussão para assegurar que a instalação de data centers contribua efetivamente para a autonomia tecnológica brasileira.

As entidades argumentam que a presença física dos servidores em território nacional, por si só, não garante soberania digital.

“Soberania não se resume a instalar servidores em território nacional. Ela envolve capacidades tecnológicas e científicas nacionais, segurança e governança de dados, autonomia energética e proteção dos recursos naturais”, defendem as entidades na nota.

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